domingo, 19 de junho de 2011

Contraditório (não se prenda ao título, no final você entenderá)

Nesta semana, o assunto mais falado na política brasileira foi o projeto de reduzir para 25 ou 50 o caráter sigiloso de arquivos ultrassecretos do governo. De um lado, muitos acham que é inconsistente um regime democrático impelir seus cidadãos de ter acesso aos documentos que são de interesse de toda a nação; além do prejuízo à história, ainda lacunosa e repleta de inverdades, infelizmente. Por outro lado, também intelectuais defendem a permanência do caráter sigiloso de tais documentos a fim de garantir a segurança e a soberania nacional, evitando "abrir" desentendimentos e conflitos entre nações amigas, muy amigas, como o Paraguai (e o genocídio praticado por nós brasileiros financiado pelos ingleses para impedir uma potência na tão promissora e explorável America Latina). Transcrevo a opinião de um dos questionáveis Deuses de ABL: "Se há riscos, é mais uma razão para abrir os arquivos. Mitos têm que ser destruídos em nome da maturidade democrática. Renan (Calheiros?) dizia que nações se criam à base de esquecimento, ocultação e mesmo mentira histórica. Mas hoje não se trata mais de construir a nação. Ela já existe. E para mantê-la, hoje, é necessário construir a sociedade democrática. Isso inclui o direito de informação sobre a própria história. A política do sigilo, do segredo, da ocultação, inviabiliza uma escrita confiável dessa história. Perde o historiador, perde o cidadão, perde o país." Daí você, meu caro leitor, me pergunta, "Que porra é essa que esse MENINO tá fazendo? Transformar um blog em jornal? Se acha..." .Acalme-se, eu só quis introduzir minha postagem experimentando maneiras interessantes e novas de atrair a sua atenção, ou ao menos o manter informado sobre o que se passa na nação verde-amarela. Após esse momento eufórico de contextualização, vem a mim o grande questionamento da postagem, o que nós devemos FALAR? Devemos expor nossas vidas aos melhores ou nem tão melhores amigos? Devemos ser símbolos de transparência e solidez aos olhos dos mais distraídos transeuntes? Por que receiamos a compartilhar nossas individualidades e nos afastamos de laços afetivos mais íntimos com o objetivo de nos preservar ou de não atrapalhar os anseios que permeiam sobre nossa imaginação? É bastante complexo tentar entender as nossas atitudes mesmo sendo nós seus criadores. Freud explica, somos fruto do inconsciente, não somos puramente regidos pela nossa vontade e lógica.


Não acho, caro amigo, que devo expor toda a minha vida para você, ou tratar a todos com a mais pura verdade, atravessando as intransponíveis barreiras da sinceridade que nos tira tantos amigos que não conseguem se deparar com um espelho ou não vêem os seus reflexos, mas a idealização deles. Ocultar é algo que nós seres humanos precisamos praticar para garantir nossa sobrevivência. Frequentemente nos esquecemos de nomes, ou não nos lembramos de nossa infância, para abrir espaço às novas informações, às novas lembranças. Talvez, se não pudesse esquecer, não teria metade dos amigos que possuo, inclusive você leitor, que pode ter chutado o meu saco em algum momento da nossa amizade. Esquecer é legal, só não é válido para assuntos cobrados pelas bancas de exame do Enem, da COVEST e da UPE. Então, fica a dica, depois de ler isto, esqueça o quanto antes, não encha seu cérebro de informações inúteis de um garoto que tenta se descobrir escrevendo para terceiros, ou segundos, ou primeiros.  


Outra coisa, mentiras são ótimas! Acho que melhor que as verdades, sério. É hipócrita e abestalhado quem disser que não mente, ou que acha a mentira algo a ser repudiado num relacionamento, seja como o nosso, leitor, de amizade, seja como o seu com o seu ou a sua digníssima (mão direita). As mentiras aumentam nosso campo de visão, atraem nossa atenção, aumentam nossa imaginação, despertam sentimentos, nos fazem transpirar. Além disso, são ótimas para os relacionamentos. Deve ser por isso que, depois de casadas, as pessoas acabam não mais amando ao outro, e partem para as mentiras de um novo relacionamento. Incrivelmente sectária minha visão, pensas. Acabas de ler inverdades, amigo, como poderei falar da mentira e elogiá-la se me não utilizar dela para isto? Seria muito cara de pau falar verdades sobre a mentira, não!? É como defender a pena de morte utilizando os argumentos de Ghandi ao seu favor. "Lá vem ele com mais uma tirada jornalística" dizes de mim.

Nós somos completamente individualistas. Muitos doam para a caridade para SE sentirem bem, os relacionamentos não vingam se UM não quer, morremos SÓS. Somos NÓS e uma multidão de eu's diferente da gente. Você vai dizer que não é assim, que eu que sou muito individualista, que você preza pelo coletivo e eu defenderei que você está se utilizando do argumento por mim defendido no parágrafo anterior. Sério, pense bem, analise sua vida, além dos seus pais, por que esses ou vínculos são tão fortes e não cabem na minha análise, por quantos você daria sua vida? Seja sincero pelo menos consigo mesmo. Se você realmente é capaz de doar sua individualidade em favor de outro alguém (não incluindo relações fraternais) você realmente não merece estar lendo esse blog, deveria estar participando de uma cerimônia onde seria premiado pela sua contribuição ao mundo e suspirar aliviado por ainda estar vivo, sortudo. Esse talvez ainda seja MEU ou até ou SEU destino, companheiro, mas não está em voga na MINHA lista de realizações PESSOAIS, apesar de querer um mundo melhor, não sei o quanto daria para isto acontecer. MEU objetivo é passar no vestibular, o seu pode ser diferente do meu. EU ando em crise com a minha paciência, não consigo render com a meses atrás, ando desanimado, perdendo o objetivo. Vou morrer, como Pessoa recomenda, hoje e nascer amanhã para um novo mundo, determinado, coletivo, verdadeiro e iluminado. 
O que pode ser mais contraditório do que em um mesmo discurso fazer apologia a contenção de emoções e abrir MEU pulsante coração para o leitor amigo? Pois é, a vida não é tão fácil de ser entendida.


Espero não ter feito VOCÊ ter perdido tempo demais da SUA preciosa vida com a MINHA indagação,  e não pense que eu não estou sendo individualista me preocupando...